Poesia Gótica + linguagem moderna = Poesia Paralela
Poesias que fluem da alma, muitas vezes sem explicação, mas muitas vezes delimitando o caminho

terça-feira, 12 de julho de 2011

O tempo é algo que não se conta

O tempo é algo que não se conta, não se programa, não se decompõe. Ele apenas é o veículo por onde tudo trafega, e por onde tudo acontece. E assim ele vai passando, noite após noite, em um vento frio sem fim, alongando os mistérios que envolvem minha mente já bastante sombria e calada, se preparando para a batalha da minha vida.
Já tenho posse do meu escudo, que é a sombra de teu semblante me envolvendo, e tenho minha espada sagrada. Só tenho que esperar o tempo certo para espreitar pela noite, buscando cada um de meus, e seus, inimigos.
Mas onde moras o segredo que me dá tanta confiança em minha luta por teu amor?
Mora essencialmente na minha alma, e de lá não há como ser tirada, e assim ela me alimenta todos os dias, enquanto espero o tempo passar, e as verdades se entrelaçarem.
Mas, e quanto à espada sagrada?
Essa é uma história à parte.
Há muito tempo atrás...
Existia um material, tão resistente, que sua localização era totalmente desconhecida. Qualquer exército que se apoderasse dele, e conseguisse forjar alguma arma, seria imbatível em qualquer batalha. A origem desse material na verdade, é uma lenda; e como todas as lendas, cabe a cada um acreditar ou não.
Diz a lenda, que havia um povoado ao norte da Província Britânica, que tinha suas casas construídas debaixo das terras, numa espécie de mundo paralelo, pois lá, mesmo abaixo das terras, eles tinham de tudo, plantas, flores, frutas, animais, e tudo mais. E isso só era possível, porque eles tinham aquilo que se poderia chamar de “um sol particular”.
Era a princesa do povoado; ela tinha uma aura em forma de arco íris, e de seu coração emanava uma luz tão profunda, que iluminava todo o povoado durante os dias, e alimentava tudo que precisava de luz. Era a própria inocência de uma deusa na forma de uma princesa num mundo real.
Mas as lendas atraem a ganância. A lenda também dizia que, aquele que conseguisse ferir o coração da princesa num único golpe, com uma espada de prata virgem, herdaria o poder da princesa, mas não na forma de luz que alimenta, mas sim na forma de sabedoria alquímica. Simples, o que todos queriam era transformar chumbo em ouro.
Depois de eras de procura, uma expedição fenícia encontrou o povoado, e como já sabiam o que esperavam, entraram com todas suas armas, e as pessoas do povoado, simples e pacato, foram todas sucumbidas à morte sem nenhum pudor.
Diante de tanta tristeza, a princesa surgiu em meio à guerra, e com um único olhar, transformou todas as armas em flores, deixando o exército fenício totalmente desarmado, mas, não havia mais ninguém no povoado.
A princesa apenas se esqueceu de um detalhe; ela somente podia transformar aquilo que ela via, e ela não viu o comandante do exército que se aproximou por detrás de umas das casas, e, com um golpe único e certeiro, atravessou o coração dela com sua espada de prata virgem. Tudo se encaminhava para a glória do exército e seu comandante, mas a princesa, numa última atitude de bondade extrema, preferiu derramar todo seu sangue, cortando seus pulsos na própria espada que estava fincada em seu peito, e se entregar à morte antes que sua luz se transpusesse ao comandante da tropa.
Com a morte da princesa, houve um grande terremoto que soterrou todo o povoado, matando a todos, inclusive o comandante e seus soldados.
O local onde isto ocorreu, permaneceu em segredo por milhares de anos, até que um dia um minerador de uma vila das regiões, encontrou um material estranho incrustado nas rochas. Com a ajuda de mais mineradores da vila, conseguiram extrair o que foi possível, pois havia mais descendo pelas entranhas da terra.
Levaram até o reinado e apresentaram à rainha e sua corte, que, após analisarem o material, que tinha uma liga totalmente estranha, ordenaram que tentassem fundi-lo como aço, para ver a resistência que poderia ter.
Tentativas em vão; por mais que elevassem a temperatura das caldeiras, o material não se fundia.
Até o dia em que a rainha foi pessoalmente visitar a forjaria, para ver a dificuldade dos artesãos em tentar fundir o material, e, quando adentrou o recinto, sentiu uma enorme força brotando em seu coração, como uma chama eterna que não consome, apenas alimenta, e, chegando próxima do material, com apenas um olhar, mais quente do que as profundezas do inferno, fundiu o metal, e a primeira coisa que ordenou foi que fosse forjada uma espada com o material.
Este material nunca teve nome, pois o segredo estava na alma da rainha, que, de algum modo, tinha a mesma bondade em seu coração que a princesa do povoado massacrado pelo exército fenício. Esse segredo perdura até hoje, e a espada, esta está comigo, que fui o primeiro cavaleiro da guarda real a quem a rainha deu a honra de liderar suas tropas.
Onde ficou o restante deste material... ninguém sabe. Por isso essa espada é única. Ela tem o fogo da alma de minha dama amada, eterna rainha destas terras, e nada pode quebrá-la, e por isso a defendo com minha vida. Somente posso entregá-la à minha rainha, caso ela a requisite.
Por hora, sou seu dono, e a empunho agora, quando a noite cai, e vou sair à procura dos desleais súditos da minha rainha para impor-lhes a morte, fria, e sombria.

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