Poesia Gótica + linguagem moderna = Poesia Paralela
Poesias que fluem da alma, muitas vezes sem explicação, mas muitas vezes delimitando o caminho

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tua sombra, meu castelo

A incerteza de um momento que ainda não aconteceu consome minha alma; vago entre as árvores da floresta pelo noite adentro, onde busco o conhecimento que me falta sobre a arte do domínio da obscuridade. É uma peça chave para a libertação da minha amada dama, antes que seja destituída e morta em seu próprio castelo.
Os ventos da inconseqüência imperam pelos ares, pois tudo que já foi feito contra ti deixa rastros sem precedentes. A única certeza que tenho é que irão pagar bem caro por isto, por desmerecerem tua clemência.
A eterna sombra da noite invade teu castelo e teu reino, e isso me abre todas as portas; agora me sinto em casa realmente. Aqui não encontro quase ninguém, pois poucos se atrevem a atravessar os corredores escuros e úmidos do subconsciente, e deixar que apenas tua alma te guie. Mas o senso de direção não é imposta pelo subconsciente; a direção nos é determinada pela alma, pelo fogo eterno da ligação dos elos perdidos que se clamam pela aproximação. É puro instinto; assim como tu matas um animal quando estás com fome, também ages pelo instinto quando precisas de seu complemento.
Deixe que a magia sagrada das chamas da alma te levem em seus braços, te conduzam pela floresta sem fim de uma noite que talvez não acabe nunca, pelo menos para mim.
Preciso que tua essência esteja viva e presente hoje, mais do que nunca, pois és a força de alimenta meus dons, e que me dá coragem para acreditar naquilo que não tenho ainda, e aceitar sair de meu refúgio, onde estava protegido e longe de tudo que poderia me atingir, e me sujeitar à esta exposição e trocar tudo que aprendi e sei, que é minha base sólida de confiança, por algo que nem sequer sei se conseguirei conquistar.
Teu coração e teus sentimentos são meu objetivo; lutarei contra tudo e contra todos por ti, mesmo sabendo por tuas palavras mesmo que não sou mais digno de prostrar-me perante ti e pedir-te perdão. Já deste minha sentença; mereço a morte por minha própria espada por duvidar do amor de ti com teu reino, e reconheço que mereço.
Mas nem por isso deixo de acreditar, de ter fé, e de me deixar levar pelos ventos da paixão eterna que tenho por ti; ficarei neste campo de batalha até o momento de minha morte, seja como for, seja por meus inimigos ou por ti mesma, mas não deixarei meu posto solitário mas sincero e digno que assumi de defender-te contra tudo e contra todos.
Mesmo que me condenes, manterei minha honra em estar à tua disposição para o que vieres a precisar; sou teu fiel cavaleiro, que nomeastes um dia como primeiro guardião de teus segredos, e irei mantê-los pelo custo da minha vida. Morrerei, mas não sairei de teu lado. Manterei teus inimigos longe de ti, serei teu escudo contra as bruxarias daqueles que querem se apoderar de teu poder, serei o eterno guardião de tua espada sagrada, e não descansarei um segundo sequer até que tenha cortado a cabeça de todos que se atrevem a desafiá-la, com um único golpe de minha espada.
Tu és o passado, o presente e o futuro; tu tens em tuas mãos meus segredos do passado, meus dons do presente e a glória do meu futuro, e por mais que as circunstâncias tentem se mostrar adversas, nunca sairei do meu caminho. Caminho que leva a ti, somente a ti.
Seria muito mais simples optar em manter-me seguro e confortável em meu abrigo nas sombras mais longínquas que existem, mas, de que serve a vida de um cavaleiro se não houver desafios a serem aceitos, se não houver uma batalha para vencer, se não houver um amor para conquistar. A vida é uma aventura constante, e os trotes de meu cavalo são lentos perto do movimento que o mundo vive, e preciso muito mais do que este abrigo inerte para glorificar a honra da minha vida.
Tenho a necessidade de oferecer-lhe minha vida, minha alma, e me colocar em constante vigilância por ti mesmo que isto signifique estar todo o tempo me expondo e arriscando que seja estudado e encontrem um jeito de eliminar a vida de meu corpo.
Ainda sou um enigma para eles, os inimigos, mas mais do que tudo eles querem saber como ainda estou vivo, tendo em mãos o carinho e a bondade de minha rainha, moldados em minha espada, sem ser petrificado como o material original na antiguidade dos tempos.
Meu segredo, é teu segredo, minha adorada dama; somente tu tens a resposta para o enigma da minha existência, e um dia irás abrir as portas da tua alma para mim, e lá estarei, rígido e em prontidão constante, pela eternidade se for preciso, mas sempre pronto para deixar que tu leves minha alma contigo.
Podes achar que sou louco por ainda insistir mesmo quando já destes minha sentença, mas acredito que nada é impossível quando se ama com toda a alma. E eu te amo, adorada dama, rainha de meu reino, com toda a minha alma, e seja na consciência ou na insanidade, te esperarei pelo tempo que fores necessário, sem jamais deixar-te sozinha.
Quando achares que estás só, lembre-se de procurar alguma sombra. Lá estarei, te olhando e te admirando a cada dia mais.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Paradigma

A evolução de uma conquista é mais importante do que a conquista em si. Mante-la, dia após dia, cada vez mais seu, é que é a evolução. Matar um leão por dia não é difícil; difícil e dar fim em todos os corpos.

O tempo é algo que não se conta

O tempo é algo que não se conta, não se programa, não se decompõe. Ele apenas é o veículo por onde tudo trafega, e por onde tudo acontece. E assim ele vai passando, noite após noite, em um vento frio sem fim, alongando os mistérios que envolvem minha mente já bastante sombria e calada, se preparando para a batalha da minha vida.
Já tenho posse do meu escudo, que é a sombra de teu semblante me envolvendo, e tenho minha espada sagrada. Só tenho que esperar o tempo certo para espreitar pela noite, buscando cada um de meus, e seus, inimigos.
Mas onde moras o segredo que me dá tanta confiança em minha luta por teu amor?
Mora essencialmente na minha alma, e de lá não há como ser tirada, e assim ela me alimenta todos os dias, enquanto espero o tempo passar, e as verdades se entrelaçarem.
Mas, e quanto à espada sagrada?
Essa é uma história à parte.
Há muito tempo atrás...
Existia um material, tão resistente, que sua localização era totalmente desconhecida. Qualquer exército que se apoderasse dele, e conseguisse forjar alguma arma, seria imbatível em qualquer batalha. A origem desse material na verdade, é uma lenda; e como todas as lendas, cabe a cada um acreditar ou não.
Diz a lenda, que havia um povoado ao norte da Província Britânica, que tinha suas casas construídas debaixo das terras, numa espécie de mundo paralelo, pois lá, mesmo abaixo das terras, eles tinham de tudo, plantas, flores, frutas, animais, e tudo mais. E isso só era possível, porque eles tinham aquilo que se poderia chamar de “um sol particular”.
Era a princesa do povoado; ela tinha uma aura em forma de arco íris, e de seu coração emanava uma luz tão profunda, que iluminava todo o povoado durante os dias, e alimentava tudo que precisava de luz. Era a própria inocência de uma deusa na forma de uma princesa num mundo real.
Mas as lendas atraem a ganância. A lenda também dizia que, aquele que conseguisse ferir o coração da princesa num único golpe, com uma espada de prata virgem, herdaria o poder da princesa, mas não na forma de luz que alimenta, mas sim na forma de sabedoria alquímica. Simples, o que todos queriam era transformar chumbo em ouro.
Depois de eras de procura, uma expedição fenícia encontrou o povoado, e como já sabiam o que esperavam, entraram com todas suas armas, e as pessoas do povoado, simples e pacato, foram todas sucumbidas à morte sem nenhum pudor.
Diante de tanta tristeza, a princesa surgiu em meio à guerra, e com um único olhar, transformou todas as armas em flores, deixando o exército fenício totalmente desarmado, mas, não havia mais ninguém no povoado.
A princesa apenas se esqueceu de um detalhe; ela somente podia transformar aquilo que ela via, e ela não viu o comandante do exército que se aproximou por detrás de umas das casas, e, com um golpe único e certeiro, atravessou o coração dela com sua espada de prata virgem. Tudo se encaminhava para a glória do exército e seu comandante, mas a princesa, numa última atitude de bondade extrema, preferiu derramar todo seu sangue, cortando seus pulsos na própria espada que estava fincada em seu peito, e se entregar à morte antes que sua luz se transpusesse ao comandante da tropa.
Com a morte da princesa, houve um grande terremoto que soterrou todo o povoado, matando a todos, inclusive o comandante e seus soldados.
O local onde isto ocorreu, permaneceu em segredo por milhares de anos, até que um dia um minerador de uma vila das regiões, encontrou um material estranho incrustado nas rochas. Com a ajuda de mais mineradores da vila, conseguiram extrair o que foi possível, pois havia mais descendo pelas entranhas da terra.
Levaram até o reinado e apresentaram à rainha e sua corte, que, após analisarem o material, que tinha uma liga totalmente estranha, ordenaram que tentassem fundi-lo como aço, para ver a resistência que poderia ter.
Tentativas em vão; por mais que elevassem a temperatura das caldeiras, o material não se fundia.
Até o dia em que a rainha foi pessoalmente visitar a forjaria, para ver a dificuldade dos artesãos em tentar fundir o material, e, quando adentrou o recinto, sentiu uma enorme força brotando em seu coração, como uma chama eterna que não consome, apenas alimenta, e, chegando próxima do material, com apenas um olhar, mais quente do que as profundezas do inferno, fundiu o metal, e a primeira coisa que ordenou foi que fosse forjada uma espada com o material.
Este material nunca teve nome, pois o segredo estava na alma da rainha, que, de algum modo, tinha a mesma bondade em seu coração que a princesa do povoado massacrado pelo exército fenício. Esse segredo perdura até hoje, e a espada, esta está comigo, que fui o primeiro cavaleiro da guarda real a quem a rainha deu a honra de liderar suas tropas.
Onde ficou o restante deste material... ninguém sabe. Por isso essa espada é única. Ela tem o fogo da alma de minha dama amada, eterna rainha destas terras, e nada pode quebrá-la, e por isso a defendo com minha vida. Somente posso entregá-la à minha rainha, caso ela a requisite.
Por hora, sou seu dono, e a empunho agora, quando a noite cai, e vou sair à procura dos desleais súditos da minha rainha para impor-lhes a morte, fria, e sombria.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Paradigma

A sombra não é a ausência da luz, e sim a absorção total da luz, pois, se a escuridão não reflete nada, é porque ela absorveu tudo.

A lâmina cega da impunidade

Não entendo muito bem porque insistes em comportar-se assim. Mesmo sabendo de toda conspiração contra ti, fazes questão de continuar todo o tempo na claridade dos castiçais, onde todos podem te ver todo o tempo. Isto não é bom. Estás muito exposta e assim coloca-se em risco há todo momento. Parece-me que realmente não tens certeza daquilo que me move, daquilo que tento te provar há tanto tempo que até a poeira do destino não consegue mais apagar. Porque insistes em descrer-me totalmente? O que mais preciso fazer para que venhas a crer em meus sentimentos mais nobres e honrosos para com ti?
Como dama das minhas noites sem fim, por onde ando sempre em linha reta de olhos fechados, mas acima de tudo como rainha de meu império, jamais te desrespeitaria perante tua corte, embora esta corte não mereça nem um décimo de meus préstimos. Mas mesmo assim, respeito-te acima de tudo, pois és e sempre serás a rainha dos meus caminhos. Aquela que emite brilho onde não existe um só reflexo nem um sequer raio de luz, onde a escuridão sempre prevalece; aquela que tem o cetro de comando da minha alma, pela qual não temo a espada nem o escudo de meus inimigos pois minha alma fica mais forte a cada dia que passa, e com ela posso vencê-los todos com apenas um gesto; aquela que segura em minhas mãos mesmo sem querer pois meu pensamento vai muito além de tua imaginação, e consigo sentir-te tão próxima que posso tocar teu rosto, embora jamais me atreveria a fazer. Tuas mãos me bastam; um beijo que deixar-me dá-las és suficiente para que nunca mais esqueça o segundo em que tive a ousadia de olhar teu rosto quando nenhum dos teus soldados tinham. Eles apenas a respeitavam; eu fui além, eu passei a admirar-te e sentir uma necessidade sem fim de proteger-te a qualquer custo. Minha vida é um prêmio muito baixo pelo que posso fazer por ti; gostaria de poder oferecer-te mais, mas tudo que tenho hoje, além de minha alma que já é tua, é minha espada sagrada, que tu mesmo a forjastes com o fogo sagrado de teus olhos e que, seguramente, a devolverei a ti quando tiver certeza de que não corres mais perigo.
Preciso de tua confiança, uma vez mais, embora saiba que não mereço. Minha ousadia me custou o exílio de teu reino, e aproximar-me de ti se tornou uma missão hoje. Todos estão à minha procura, quando na verdade, tua corte e tua guarda real é que planejam contra ti. Provar, nunca conseguirei antes que derrubem-te, mas isto não deixarei que aconteça, pois poderia ser tua morte. Se morreres, irei junto, pois os corredores de silêncio e escuridão da morte eu já conheço como minha casa, e irei contigo até as portas do julgamento final, mesmo sabendo que os céus te aguardam enquanto que, a mim, só resta um último suplício de perdão como chance de não permanecer eternamente nos infernos ou vagando por esta terra deserta.
Não fiques tão longe das sombras; aproxime-se pelo menos um pouco, para que eu te veja e alcance quem estiver próximo de ti; somente assim derrubarei tua guarda infiel, homem por homem, e eliminarei tua corte que te presta homenagens agora, mas planeja tua queda logo após. Não merecem a vida; na verdade, não merecem nem ir tão rápido para o inferno, pois a lâmina de minha espada é rápida demais. Deveriam sofrer mais pelo desrespeito e pela audácia de conspirarem contra ti.
Dama, linda e maravilhosa dama da minha existência, deixe-me que envie-os para os corredores da morte sem que nenhum guia venha buscá-los, pois assim vagarão muito tempo entre as portas do sofrimento e da tortura, para assim saberem o quanto erraram em escolher o lado dos traidores. Deles, não tenho piedade, pois esse dom não compete a mim, e sim aos Deuses da Guerra, que os julgarão ao final dos corredores.
Não era isto que queria ser em tua vida; ser um anjo negro que se move pelas sombras, e pela escuridão consegue se aproximar de ti apenas o suficiente pra sentir teu perfume. Gostaria de ainda ser aquele cavaleiro que defendeu tua honra tantas vezes em campo de batalha, e tantas vezes voltou ferido, e gravemente, mas que honrava cada gota de sangue que caia pelos meus braços e sumia pelo chão, onde brotava as plantas irrigadas pelo sangue dos guerreiros.
Mas o tempo passou, e eu fiz coisas que não deveria, por ordem do meu coração, ignorando a razão, e até mesmo os níveis que nos separam. Me apaixonar por ti já foi uma transgressão, mas que levarei comigo até onde eu for, e jamais renegarei o que fiz e o que sinto por ti. No entanto, o castigo me veio a trotes largos e profundos; alguns me chamam de bruxo, as vezes, ou de anjo do demônio, mas são apenas homens sem fé e que desconhecem tudo que sei, que fui, e que sou principalmente. Carrego comigo muitas coisas que trouxe dos porões dos aflitos, quando estive atravessando o inferno em busca da espada sagrada que me destes mas tive a incompetência de perdê-la em um duelo inútil. Mas isto hoje, dentro da minha limitação, me é de grande valia, pois são as sombras que me guiam, e é pela escuridão que ando, e ela me protege e me ensina a cada dia um pouco dos segredos da noite sem fim.
Com isso, sempre estarei dentro da tua vida, pois, lá no fundo da tua alma, há uma escuridão que tu não entendes ainda, mas que pode servir para me abrigar. Ninguém há de ferir-me, ou ferir a ti, enquanto eu estiver na escuridão da tua alma.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Paradigma

A flor da sabedoria nasce e cresce em qualquer tipo de local. Nunca ignores de onde vem as palavras.

O lado obscuro da lealdade

O sol da tua estrela ainda brilha em meio a esta vasta floresta sem fim, que é a minha casa e o meu abrigo. Aqui me sinto protegido, mas a todo instante me tentas a sair ao encontro de teu olhar.
Por mais misterioso que o vulto possa ser, a imagem é a concretização de uma idéia formada, conceituada e resultado final de uma concepção. Sei o que existe dentro e por detrás de cada sombra em meu caminho, pois meus passos são somente através delas, por isso o medo não habita mais minha alma. Mas me assusta a vontade de sair por onde a escuridão não consegue me alcançar, para ir atrás da chama da tua alma. Chama esta que entra em meu coração como uma lança pontiaguda, que rasga meu peito em uma dor enorme, mas que me dá plena satisfação em saber que é por ti, dama dos meus sonhos mais obscuros.
Na eterna guerra dos sentidos que domino, vejo o que te cerca e teus súditos a cumprimentarem-se dignamente, dia-a-dia, como um ritual. Tua corte passa diante de ti todos os dias, várias vezes, e tua guarda real está ali, sempre imóvel e imponente, a te proteger a qualquer custo não importa a que hora.
Malditos desgraçados sejam todos eles. Eles te traem, sem que tu saibas. Vejo pelas sombras deles próprios o verdadeiro sentido da falsidade que demonstram; querem tuas conquistas e teus tesouros, e para isto não temem te atacar, pois todos conspiram contra ti.
Teus guardas te trairão, serão desleais à tua coroa pela promessa de uma terra mais rica e poderosa; promessas que não sabem que são em vão, pois essa terra que tanto querem já é deles, e isto eles não sabem. Tua corte, que hoje te corteja em cerimônia tão sublime, quer teu trono e teu cetro; querem o governo sobre teu povo e sobre tuas posses. Pobre do teu povo, que lá fora, não faz a mínima idéia de que há tantos traidores entre eles, e dentro de teu castelo real. Povo que irá sofrer muito nas mãos destes doutores da lei e da guarda, enfermos de honra e lealdade.
Quando tudo acontecer, só haverá falta de esperança por parte do teu povo, e nenhuma hierarquia será respeitada em teus domínios.
Infames, que agem como cobras no deserto, traiçoeiros e prontos para dar o golpe fatal sobre ti, dama da minha eterna felicidade.
Sei que não posso sair para fazer nada agora, pois está claro demais e não veria o caminho pelo qual estaria andando, nem tampouco meus inimigos. Seria um alvo fácil em uma batalha perdida. Mas nem tudo está entregue, embora eu conheça o futuro como ele se mostra agora. Ainda tenho algumas noites antes que te tirem a coroa, e te humilhem perante teu império; essas noites serão minha glória e minha redenção por todo o mal que trouxe para ti, tentando fazer-te acreditar em algo que não existe para ti.
Noite após noite, derrubarei um a um de teus inimigos, de tua corte, de tua guarda, pois nas sombras não sou visto, e minha espada sagrada passa despercebida pela escuridão.
O inferno está reservado para os desleais, e faço questão de enviar um a um pessoalmente para lá, pois querem o mal a quem dou minha alma por um sorriso.
Mesmo que ao fim, já seja dia e o sol me consuma e me reduza a cinzas eternas, entrarei em sono profundo feliz por saber que deixei teu reino livre dos traidores que te cercam, e que farás teu povo prosperar nas ricas terras que tens em teu império.
Repousas em silêncio agora, pois não quero que te canses com meu discurso áspero desta vez, e peço-te perdão pela insolência da minha parte em tomar esta batalha para mim, em nome de vossa majestade. Mas, servir-te és minha honra e meu dever, que foram cravados em minha alma à ferro e fogo, para que nunca mais seja esquecido o laço que me prende a ti; sirvo-te com carinho e dedicação, mas quando necessário, com rigidez e determinação, e levo à morte aqueles que se atrevem a se opor a teu reinado.
Sei que, mesmo não sendo um anjo de luz em tua vida, tenho minhas asas que, mesmo negras, me levam até o céu dos guerreiros que lutam pelo amor; amor de uma dama com honra sem precedentes, uma dama cuja beleza é inquestionável e a delicadeza está estampada em seus olhos lindos cor de mel.
Deixe-me ter a honra de ser teu fiel guerreiro na noite mais escura da alma, pois pelo corredor das sombras saberei te conduzir ilesa e intocada, mantendo-a em teu trono no mais alto das pedras, onde nenhum homem mais conseguirá te alcançar. Apenas ouvirão tua voz, soando como um trovão sobre teu império, garantindo a paz suprema e a ordem em cada gesto de cada pessoa.